Liga de Pneumologia

Tromboembolismo Pulmonar
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Introdução
O tromboembolismo do pulmão é um dos principais problemas clínicos que ocorre
nos hospitais gerais, serviços de emergência, enfermarias cirúrgicas e clínicas,
serviços oncológicos, pacientes acamados por tempo prolongado e em idosos. É, em
muitos hospitais, a principal causa de morte súbita, e em quase 70% dos casos
não é sequer suspeitada antes do óbito(1).
Caracteriza-se pela impactação de um coágulo ou de seu fragmento em um dos ramos
ou no tronco das artérias pulmonares. Em quase 90% das vezes tem sua origem em
trombos e/ou coágulos das veias pélvicas e membros inferiores. Mais de 25% dos
pacientes em pós-operatório podem desenvolver trombose nestes vasos e quando
apresentam quadro anterior de doença venosa, esta incidência pode ser superior a
60%. Em mais de 50% dos casos de trombose venosa profunda não há qualquer
manifestação clínica, o que impede muitas vezes a instituição do tratamento
adequado e a prevenção do tromboembolismo pulmonar (TEP)(2).
Em nosso meio a maior incidência de tromboembolismo pulmonar começa aos 30 anos,
ao passo que nos Estados Unidos e na Europa inicia aos 40 anos, e é na sexta e
sétima décadas que encontramos maior frequência desta doença. Quando há doença
tumoral associada, a possibilidade de tromboembolismo pulmonar pode chegar a
45%(3). Todos os fatores que aumentam a estase, coagulabidade sanguínea ou
determinam dano ao endotélio do vaso, favorecem a formação de trombo e
consequentemente aumentam a possibilidade de tromboembolismo(3).
No TEP as alterações parenquimatosas do pulmão podem ser mínimas. Outras vezes
encontramos atelectasia, sinais de oclusão distal do vaso comprometido (hipertransparência,
infarto pulmonar etc.) e derrame pleural, que é mais frequente se houver
concomitância de insuficiência cardíaca. O infarto pulmonar é encontrado em 5% a
15%(1) dos casos de TEP e esta frequência relativamente pequena se deve ao fato
do pulmão possuir dupla circulação. A artéria brônquica, que emerge da aorta
torácica, dá o suporte nutricional ao parênquima pulmonar e também se conecta
amplamente com a rede capilar que se origina na artéria pulmonar(4). Logo, o
infarto pulmonar se instala quando houver comprometimento da artéria pulmonar e
da perfusão efetuada pela artéria brônquica, como pode acontecer nos pacientes
com TEP que desenvolvem pneumonia, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca
esquerda ou nos portadores de neoplasias malignas.
Os quadros embólicos graves levam à disfunção cardíaca ao determinar hipertensão
pulmonar aguda que, por sua vez, aumenta a pressão intraventricular direita, que
provoca o desvio do septo ventricular para a esquerda, diminuindo o débito
cardíaco e, consequentemente, levando o paciente ao choque cardiogênico. Este é
um dos fatores que aumenta o índice de morbidade e letalidade nesta doença.
Diagnóstico
A dispnéia, a taquicardia e a dor torácica, quando inexplicáveis, estão
presentes em 97% dos pacientes com tromboembolismo do pulmão. Contudo, a
especificidade destes sintomas e sinais é de apenas 10%(5). Se o quadro clínico
for sugestivo e o paciente estiver instável, somente com estes dados o médico
está autorizado a instituir terapêutica específica, que será discutida
posteriormente.
O quadro clínico do TEP é variável. Mais de 50% dos pacientes com
tromboembolismo pulmonar não apresentam manifestação clínica importante, outros
desenvolvem ligeira hipotensão, dispnéia leve ou apenas mal-estar inespecífico.
Os sintomas clínicos dependem do número de segmentos do pulmão comprometido;
geralmente quando há diminuição de perfusão em até três segmentos há pequena
manifestação clínica. Quando há falta de perfusão em nove ou dez segmentos,
muito frequente, provoca disfunção do ventrículo direito(6). Redução de perfusão
em 15 ou 16 segmentos pulmonares provoca manifestação grave, caracterizando o
tromboembolismo pulmonar maciço, que pode levar o paciente ao óbito. O diâmetro
da artéria pulmonar obstruída também é importante e determinante de maior ou
menor gravidade. Quando os fenômenos tromboembólicos incidem no paciente idoso a
morbidade é sempre maior.
As doenças associadas, especialmente cardíacas, além de favorecerem a formação
de infarto pulmonar, predispõem o paciente a pior prognóstico.
Sharma e Sasahara, em 1979(7), descreveram três tipos de síndromes que
acompanham o tromboembolismo pulmonar: infarto pulmonar, cor pulmonale agudo e
dispnéia inexplicável.
O infarto pulmonar é de instalação aguda, cursa com dor pleurítica e dispnéia,
decorrente não só da obstrução da artéria pulmonar, mas também porque há
liberação pelas plaquetas constituintes do êmbolo, de serotonina e tromboxane
A2, que são potentes vasoconstritores e broncoconstritores, aumentando a
dispnéia e agravando a hipoxemia. A hemoptise e o atrito pleural geralmente
estão presentes apenas na presença de infarto pulmonar.
O cor pulmonale agudo, destas três síndromes, é o mais grave e se caracteriza
por dispnéia de início súbito e cianose. Neste caso, ocorrem sinais de
insuficiência de ventrículo direito precocemente, com hipotensão e choque
cardiogênico.
A dispnéia inexplicável deve ser sempre correlacionada com tromboembolismo
pulmonar, e obrigatoriamente descartado pelo médico. Muitos casos nesta fase não
são diagnosticados, propiciando o aparecimento de graves complicações ou até
mesmo evolução para o óbito.
Dalem, em 1991, descreveu que 95% dos seus casos apresentavam uma dentre estas
três síndromes(8).
Com relação aos fatores de risco, a idade acima de 40 anos foi detectada em
88,5% dos 1.231 pacientes estudados por Anderson & Wheeler, em 1992(9), e a
obesidade em 37,8%. O tromboembolismo pulmonar prévio em 26%, o câncer em 22,3%,
paciente acamado há mais de cinco dias em 12%, cirurgia de grande porte em 11,2%
e insuficiência cardíaca congestiva em 8,2%.
Se o paciente estiver estável, realizamos eletrocardiograma, radiografia de
tórax e gasometria arterial. Estes exames, apesar de inespecíficos, podem
afastar totalmente a possibilidade de TEP ou aumentar a especificidade daqueles
sintomas e sinais assinalados anteriormente, para mais de 40%. Assim, se o
eletrocardiograma mostrar ondas S na derivação DI e ondas Q com T invertida em
DIII (S1,Q3,T3), praticamente conclui o diagnóstico de TEP(6), principalmente se
o paciente tiver eletrocardiograma anterior sem estas alterações. Quando ocorrem
taquiarritmias, inversão da onda T e infradesnivelamento de ST, nas derivações
precordiais, indicam-se mau prognóstico. Por outro lado, se o eletrocardiograma
evidenciar alterações compatíveis com infarto agudo do miocárdio, angina ou
pericardite, podemos afastar o possibilidade de TEP. Estudo prospectivo em 43
pacientes com tromboembolismo pulmonar, atendidos no Serviço de Emergência da
Santa Casa, desde maio de 1994, mostrou no eletrocardiograma 67% de taquicardia
sinusal, 66% com onda T invertida, bloqueio completo de ramo direito em 40%,
onda Q em DIII em 46,5%, sobrecarga de ventrículo direito 48%, fibrilação atrial
aguda em 21%, normal em 11% e outros tipos de arritmias em 16,8%.
Em relação à radiografia de tórax, se encontrarmos sinais de hipoperfusão
regional ou de vários segmentos do parênquima pulmonar, caracterizando ausência
de circulação sanguínea (sinal de Westermark)(10) devido obstrução da artéria
pulmonar ou de seus ramos, atelectasia, infarto pulmonar, elevação da cúpula
frênica, aliados aos sintomas e sinais clínicos comentados anteriormente,
teremos aumento da especificidade diagnóstica. Porém, se encontrarmos sinais
radiológicos de pneumonia, derrame pleural, pneumotórax, alargamento de
mediastino sugerindo aneurisma dissecante de aorta, entre outros, podemos
descartar a possibilidade de TEP(6).
vNa gasometria arterial, hipoxemia abaixo de 80 mmHg sugere TEP, quando
associada aos sintomas descritos e quando superior a 90 mmHg afasta esta
possibilidade. O estudo de 39 pacientes com TEP do Serviço de Emergência da
Santa Casa de São Paulo mostrou PO2 de 51.19 ± 30.5 mmHg. Estes dados comprovam
que quando a gasometria evidencia PO2 aquém de 80 mmHg, a hipótese de
tromboembolismo pulmonar deve ser considerada, principalmente se o paciente
apresentar dispnéia súbita, dor torácica e taquicardia.
A cintilografia de ventilação e perfusão, quando positiva, aumenta a
especificidade diagnóstica em até 95%(11).
A arteriografia pulmonar, não disponível em todos os serviços nem sempre
factível, principalmente se o paciente estiver instável hemodinamicamente ou em
insuficiência respiratória, é tida como capaz de aumentar a especificidade
diagnóstica para 100%, segundo a maioria dos autores(12).
Atualmente, a tomografia helicoidal vem ocupando grande destaque no diagnóstico
precoce e de certeza quanto aos fenômenos tromboembólicos do pulmão. Estudos
comparativos, evidenciaram correspondência diagnóstica com a arteriografia entre
90% e 100% dos casos(12).
Outro exame de grande valia no diagnóstico do TEP é o ecocardiograma(13), que
nos fornece informações importantes, desde a identificação de trombos de grande
volume em troncos das artérias pulmonares até estimativas da pressão de artéria
pulmonar, e da função do ventrículo direito, mostrando hipocinesias ou acinesias
do músculo cardíaco. Pressões da artéria pulmonar em torno de 30 a 40 mmHg são
indicativas de extenso comprometimento do parênquima pulmonar, e estudos
comparativos com a cintilografia de perfusão e ventilação mostraram que os
pacientes com níveis pressóricos desta ordem apresentavam comprometimento de
mais de dois terços da perfusão pulmonar. O mesmo conceito é válido para aqueles
casos nos quais encontramos acinesia ou hipocinesia de ventrículo direito(13).
O conhecimento e o diagnóstico das doenças de base que potencialmente levam a
fenômenos tromboembólicos são de extrema valia para se aumentar a
especificidade, facilitar o diagnóstico precoce e orientar no tratamento da
doença.
Tratamento
A terapêutica do TEP ou de suas complicações inclui medidas de suporte geral,
cardiovascular e ventilatório, anticoagulação, fibrinólise, embolectomia e
eventualmente interrupção do fluxo venoso.
As medidas de suporte geral consistem principalmente na correção hídrica e
eletrolítica e administração de aporte calórico.
Suporte ventilatório
Diante da hipoxemia desenvolvida nestes pacientes, deve ser introduzida
oxigenoterapia para elevar-se o PO2 acima de 80 mmHg, principalmente quando
houver hipotensão e diminuição da perfusão tecidual.
Quando ocorrer broncoespasmo, que aumenta a resistência aérea em até quatro
vezes, deve-se introduzir inalações com agonista b-2-adrenérgico, aminofilina
intravenosa e corticóides.
A ventilação assistida está indicada nos casos que desenvolverem insuficiência
respiratória franca, sem resposta às medidas iniciais, e o paciente apresentar
paO2 < 50 mmHg ( com FI O2 = 0,21), frequência respiratória > 40 movimentos por
minuto e pCO2 > 55 mmHg. Nestes casos, o paciente deverá ser convenientemente
sedado e colocado no ventilador, para manutenção da oxigenação adequada aos
tecidos e órgãos.
Suporte hemodinâmico
É fundamental a rápida e precisa correção de qualquer componente hipovolêmico,
principalmente se houver redução dos níveis pressóricos basais do paciente. Em
virtude da hipertensão pulmonar aguda e do aumento da pressão venosa central
determinado pela embolia de pulmão, muitas vezes há necessidade de se instalar o
cateter de Swan Ganz para medidas da pressão do capilar pulmonar, que poderá nos
dar a medida exata do possível déficit de volume do intravascular ou da
disfunção do ventrículo esquerdo. Se não houver disponibilidade de se realizar
este procedimento, a reposição de volume poderá ser feita, desde que
cautelosamente, através de provas de infusão de volume em pequenas quantidades
fracionadas (200 ml), com controle da pressão venosa central (PVC) a cada
infusão. Se a PVC elevar-se mais que 2 cm de H2O a cada 200 ml de volume
infundido ou se a pressão do capilar pulmonar for superior a 20 mmHg, a
reposição de volume deverá ser feita com extremo cuidado.
Nos casos em que houver insuficiência cardíaca direita ou esquerda o uso de
digital, dopamina ou dobutamina poderá ser necessário.
Na fase em que ocorre instabilidade hemodinâmica, a opção é usar drogas
vasoativas de ação rápida - dopamina, dobutamina e noradrenalina - cujas doses
possam ser alteradas conforme a evolução. A noradrenalina está indicada naqueles
casos nos quais a pressão arterial média persiste abaixo de 80 mmHg mesmo após
correção da volemia, do equilíbrio ácido-básico e eletrolítico, com o objetivo
de manter pressão de perfusão adequada ao sistema nervoso central e artérias
coronárias.
Após correção do equilíbrio ácido-básico, eletrolítico, hemodinâmico e
ventilatório, se o paciente se mantiver oligúrico, introduzimos diuréticos de
alça, e a opção é por furosemida endovenoso, na dose de 20 mg, a cada 15 minutos
(máxima de 300 mg), até obtenção de diurese.
Nos casos de dor torácica persistente a sedação ideal deve ser feita com morfina
em pequenas doses (1 a 3 mg) até obtenção do efeito desejado.
Anticoagulação
Como vimos, aproximadamente 70% dos pacientes com TEP letal, documentados em
necrópsias, apresentavam alguma evidência clínica algumas horas, dias ou até
mesmo semanas antes do evento final e não foram sequer suspeitadas em vida.
Portanto, a atenção do médico deve estar voltada a esta temível doença, pois a
introdução da terapêutica específica, através da heparinização, pode salvar
vidas e evitar graves complicações.
A heparina está indicada precocemente e deve ser dada por infusão contínua, com
dose plena, no sentido de prevenir novos episódios embólicos. O uso da heparina
na dosagem correta reduziu, em muitos serviços, a mortalidade de 30% para
8%(14). A dose preconizada é de 5000 U em bolo, com o objetivo de saturar o
espaço intravascular e intersticial. A seguir, infundimos continuamente 1000 a
1500 U por hora até que o tempo de tromboplastina parcial ativado atinja valor
de 1,5 a 2,5 vezes superior ao anterior à heparinização, que deve ser mantida de
sete a dez dias. Este período de tratamento é suficiente para que o trombo se
organize e se fixe na parede venosa, onde é posteriormente coberto pelo
endotélio, evitando assim a recorrência de novos episódios embólicos.
Esta duração do tratamento com a heparina é importante também para que o sistema
fibrinolítico endógeno, no paciente anticoagulado, possa exercer a lise do
coágulo e desobstruir os vasos. É importante lembrar que o pulmão é o órgão mais
rico em ativador tecidual do plasminogênio e a trombólise fisiológica pode
recanalizar os vasos pulmonares ao promover a lise completa dos êmbolos ou
coágulos, conforme pode ser demonstrado através de controles cintilográficos
seriados. Em nosso serviço, constatamos que o acompanhamento de vários pacientes
com o ecodoppler cardiograma mostrou redução da pressão da artéria pulmonar 30 a
40 dias após a suspensão da heparinização e com melhora contínua do padrão
cintilográfico, demonstrando que a fibrinólise fisiológica persiste quando
mantidos anticoagulados, melhorando as condições clínicas dos pacientes.
Os anticoagulantes orais devem ser introduzidos no terceiro ou quarto dia após o
início da heparinização e mantidos durante três a seis meses. Usamos a warfarina
na dose de 10 a 15 mg nos dois primeiros dias, a seguir mantemos com 5 ou 7,5 mg
por dia, com o objetivo de reduzir a atividade da protrombina em torno de 30% a
40% (INR=2,0). A warfarina age como antagonista da vitamina K no fígado,
reduzindo a síntese dos fatores K dependentes no hepatócito, que são os fatores
II, VII, IX e X(15).
É conveniente ressaltar que devido a grande incidência de complicações
hemorrágicas nos pacientes em uso prolongado de antivitaminas K, que variam
desde simples gengivorragia até acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos
letais, estes pacientes devem ser controlados e orientados rigorosamente em
relação a dosagem do medicamento, interação com numerosas outras drogas que
podem aumentar seu metabolismo e, portanto, reduzir, bem como potencializar sua
ação, colocando o paciente em risco de trombose ou sangramento, respectivamente.
A heparina de baixo peso molecular, de uso subcutâneo, cada vez mais está sendo
prescrita como profilaxia de trombose venosa no pré e pós-operatório e está
indicada também nos pacientes cujo uso de antivitaminas K está contra-indicado,
como, por exemplo, em gestantes e pacientes com hipersensibilidade a esta droga.
O ácido acetilsalicílico e o dipiridamol também são largamente usados como
profiláticos e agem diminuindo a agregação plaquetária.
Fibrinólise
Quando ocorre hipotensão, mesmo naqueles pacientes com pressão arterial normal,
porém com o ecocardiograma demonstrando hipocinesia de ventrículo direito ou com
a cintilografia pulmonar evidenciando comprometimento superior a 40% do
parênquima, indicamos trombólise. Não esperamos a instalação do quadro, assim
chamado fulminante ou de tromboembolismo maciço, mesmo porque, este diagnóstico
é subjetivo. Optamos por orientar-nos em dados concretos e mensuráveis, baseados
em estudos de Goldhaber(13), cujos casos o ecocardiograma mostrava hipocinesia
de ventrículo direito, o uso de trombolítico melhorou as condições clínicas em
88%, contra 44% dos pacientes tratados com heparina, nas primeiras 24 horas.
Por ser o órgão que possui maior teor de ativador tecidual do plasminogênio, o
pulmão possui grande capacidade de lise do coágulo ou êmbolo. Em torno do sétimo
dia, após a instalação do tromboembolismo pulmonar, os resultados com uso de
trombolíticos ou heparina se equivalem, em função desta propriedade.
As drogas de escolha para a terapêutica trombolítica são a estreptoquinase (SK)
e o ativador tecidual do plasminogênio (rTPA). Utilizamos mais comumente a SK,
diante de seu baixo custo. A dose de rTPA é de 100 mg em duas horas, enquanto
que a de SK é de 250.000 U, infundidas em bolo, para inativar a provável
presença de anticorpo antiestreptocócico, produzidos em infecções
estreptocócicas prévias, e, na sequência, 100.000 U/hora nas primeiras 24. Se
houver reversão do quadro com retorno das condições hemodinâmicas à normalidade,
melhora da função do ventrículo direito e da função ventilatória, encerramos a
infusão de SK e introduzimos heparina. Caso não ocorra esta melhora, continuamos
a trombólise mais 24 ou 48 horas(13).
Concluída a trombólise, realiza-se o tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa).
Quando este tempo cair aquém de 1,5 vez em relação ao valor inicial, orientamos
introdução de heparina com infusão contínua, na mesma dose descrita, mantendo o
TTPa em 1,5 a 2 vezes acima do valor inicial.
Um aspecto importante, com relação a terapêutica trombolítica, é que dispomos de
14 dias de intervalo entre a instalação da embolia e a possibilidade de êxito
com esta terapêutica, ao contrário do infarto do miocárdio em que esta "janela"
é de apenas 12 horas.
Portanto, dispomos de tempo suficiente para estudarmos adequadamente o caso até
a instituição da fibrinólise. Durante a evolução se ocorrer reembolização com
piora eletrocardiográfica ou houver repercussão hemodinâmica importante, estamos
autorizados a introduzir a terapêutica fibrinolítica. A administração da droga é
feita por veia periférica, mesmo com o paciente em enfermaria, desde que
corretamente acompanhada pelo médico. A internação em unidade de terapia
intensiva (UTI) para este tratamento somente é solicitada nos casos em que se
instala o choque cardiogênico.
Embolectomia pulmonar
É o tratamento mais adequado nos pacientes com embolia documentada e que
persistem em choque grave e refratário(16), mesmo após utilização do tratamento
já descrito. A taxa de mortalidade varia de 25% a 60%.
Filtro de cava inferior (filtro de Greenfeld)
Está indicado naqueles casos em que o paciente não pode ser anticoagulado, ou
receber trombolíticos, naqueles em que haja recorrência de embolia, apesar de
anticoagulado, nos casos de embolizações tardias associadas a presença de
fatores predisponentes de TEP, ou em pacientes com TEP maciço com alto risco de
reembolização(17).
Prevenção
A prevenção é fundamental, podendo bloquear o aparecimento de TEP em pacientes
predispostos. A prevenção da trombose venosa e do TEP deve ser iniciada em todos
os pacientes internados em UTI, naqueles em pós-operatório, nos
politraumatizados e nos pacientes em pré-operatório para cirurgias de grande
porte (tórax, abdome e membros inferiores).
A prevenção deve ser iniciada com a movimentação precoce, especialmente dos
membros inferiores e liberar o paciente para deambular precocemente. É
importante que fora do leito não permaneça por tempo prolongado na posição
sentada com as pernas em ângulo reto em relação às coxas.
O início da fisioterapia com movimentação ativa e passiva dos membros inferiores
deve ser iniciada imediatamente, especialmente naqueles pacientes
impossibilitados de sair do leito. Caso não hajam contra-indicações, a elevação
dos membros inferiores a 30o melhora o retorno venoso, diminuindo a estase e
prevenindo trombose.
O uso de meias ou bandagens elásticas devem ser incentivadas. Atualmente
dispomos de meias de compressão automática e intermitente, utilizadas
especialmente em pacientes de unidades de terapia intensiva, com excelentes
resultados na profilaxia de trombose venosa profunda.
Finalmente, a heparina subcutânea, heparina de baixo peso molecular e
antiagregantes plaquetários também estão indicados na profilaxia da trombose
venosa profunda e do TEP.
Concluindo, queremos enfatizar que o tromboembolismo pulmonar é uma doença que
leva o paciente ao óbito e a profilaxia deve ser feita sempre o mais precoce
possível. Todas as vezes que o médico suspeitar de TEP, não deve aguardar por
exames sofisticados para indicar a terapêutica com heparina, pois aquele que
esperar obter prova definitiva, para instituir a terapêutica adequada, terá
infelizmente esta prova na mesa de necrópsia.
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