Liga de Pneumologia

Paracoccidioidomicose
![]()
Aspectos Epidemiológicos
Agente etiológico - Paracoccidiodes brasiliensis, um fungo dimorfo.
Reservatório - O
solo e poeira carregados de fungo em suspensão, normalmente em meio
rural..Doenças Infecciosas e Parasitárias
Modo de transmissão - Por inalação do fungo. A contaminação através de
ferimentos cutâneos e nas mucosas é extremamente rara.
Período de incubação - Pode ir de 1 mês até muitos anos.
Período de transmissibilidade - Não há caso descrito de transmissão pessoa a pessoa.
Complicações - Neuroparacoccidioidornicose, caracterizada por comprometimento do parenquima e dos folhetos que revestem o sistema nervoso central. As formas pulmonares podem evoluir para insuficiência respiratória crônica.
Aspectos Clínicos
Descrição - Micose profunda, grave, que, na forma crônica, é conhecida como
“tipo adulto” e, na forma aguda ou sub-aguda, como “tipo juvenil”. A primeira
caracteriza-se por comprometimento pulmonar, lesões ulceradas de pele, mucosas
(oral, nasal, gastrointestinal), linfoadenopatia; na forma disseminada, pode
acometer todas as vísceras, sendo freqüentemente afetada a supra-renal. A
segunda é rara e, quando ocorre, compromete o sistema fagocítico-mononuclear e
leva à disfunção da medula óssea. Na cavidade oral, evidencia-se uma estomatite,
com pontilhado hemorrágico fino, conhecida como “estomatite moriforme de
Aguiar-Pupo”. A classificação abaixo apresenta a interação entre o P.
brasiliensis e o homem, determinando infecção ou doença, assim como as
formas clínicas da paracoccidioidomicose:
I. Infecção paracoccidióidica - caracteriza-se apenas por contágio do
indivíduo pelo fungo, sem a presença de doença clinicamente manifesta.
II. Paracoccidioidomicose (doença) - caracteriza-se pela presença de
manifestações clínicas relacionadas a um ou mais órgãos, dependentes das lesões
fúrgicas em atividade ou de suas seqüelas.
1. Forma regressiva - doença benigna com manifestações clínicas
discretas, em geral pulmonares. Apresenta regressão espontânea, independente de
tratamento.
2. Forma progressiva - ocorre comprometimento de um ou mais órgãos,
podendo evoluir para óbito, caso não seja tratada de maneira adequada. É
dividida nas formas aguda e crônica, de acordo com a idade, duração e
manifestações clínicas.
2.1. Forma aguda ou sub-aguda (juvenil)
a) com adenomegalia de linfonodos superficiais;
b) com comprometimento abdominal ou do aparelho digestivo;
c) com comprometimento ósseo;
d) com outras manifestações clínicas.
2.2. Forma crônica (adulto) - pode acometer todos os órgãos citados,
inclusive o SNC. Pode ser:
a) forma leve;
b) forma moderada;
c) forma grave.
3. Forma seqüelar - manifestações clínicas relacionadas à fibrose
cicatrial, que se segue ao tratamento específico, como hiperinsuflação pulmonar,
insuficiência adrenal, estenose de traquéia e síndrome de má absorção. Sinonímia
- Antigamente conhecida como blastomicose sul-americana ou moléstia de
Lutz-Splendore e Almeida.
Diagnóstico Laboratorial
Diagnostico - É clínico e laboratorial. Esse último é feito com o achado do
parasita, que se apresenta como células arredondadas, de dupla parede,
birrefringente, com ou sem gemulação. Quando há gemulação múltipla, o parasita
toma aspecto de “roda de leme”. Provas sorológicas, como a imunodifusão em gel e
histopatologia, podem ser empregadas. Diagnóstico diferencial - Com as outras
micoses profundas que compõem a Síndrome Verrucosa (Tuberculose, Esporotricose,
Leishmaniose Tegumentar Americana, Cromomicose) e Sífilis. Nas formas
linfáticas, deve-se diferenciar do linfoma de Hodgkin e de outras neoplasias.
Tratamento - Uma das
opções a seguir:
a) Sulfametoxazol + trimetoprim - 800/60mg/dia, VO, 12/12 hs., por 30 dias,
400/80mg 12/12 hs., até um ano após sorologia negativa.
b) Cetoconazol - 400 mg/dia, VO, por 45 dias, depois 200mg/dia até completar 12
meses.
c) Fluconazol - 400mg/dia, VO, por um mês, depois 200mg/dia, por 6 meses. Esse
último é a melhor opção para o tratamento da neuroparacoccidioidornicose, pela
sua alta concentração no SNC; a dose de ataque pode ir até 800 mg/dia por 30
dias.
d) Anfotericina B - 1mg/kg/dia, IV, diluído em 50ml de soro glicosado a 5% mais
acetato de delta hidrocortizona 50 - 100mg. A dose máxima de anfotericina B não
deve ultrapassar 3g.
Características epidemiológicas - Doença endêmica nas regiões tropicais da América do Sul, comum no Brasil em relação a outros países. Freqüente em trabalhadores rurais, agricultores, operários da construção civil. Incide mais em homens do que em mulheres, pois o fungo, sofrendo ação do hormônio feminino 17-B-estradiol, torna-se incapaz de se transformar em levedura, essencial para induzir a doença. A faixa etária de maior incidência encontra-se entre os 30 e 50 anos de idade.
Vigilância
Epidemiológica
Objetivo - Por não dispor de instrumento de prevenção, essa doença não é
objeto de vigilância epidemiológica rotineiramente. No Brasil, tem-se registro
de mais de 50 casos de paracoccidioidomicose associados à aids, o que coloca
essa infecção como mais um dos indicadores daquela síndrome.
Notificação - Não é doença de notificação compulsória.
Medidas de Controle
Não há medida de controle disponível. Deve-se tratar os doentes precoce e
corretamente, visando impedir a evolução da doença e suas complicações.
Indica-se desinfecção concorrente dos exudatos, artigos contaminados e limpeza
terminal.
|
Referência:
Guia Brasileiro de Vigilância Epidemiológica 1998. |
![]()